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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

TIMELESS !


TIMELESS – ARTHUR VEROCAI, J.DILLA E MULATU ASTATKE
Registros históricos de shows de artistas influentes do hip hop são exibidos pela primeira vez no Brasil, no Espaço Unibanco de Cinema   
Nos dias 9, 10 e 11 de fevereiro, de quarta a sexta-feira, o Espaço Unibanco Augusta, em São Paulo, apresenta o projeto TIMELESS, série de três filmes dirigida pelo fotógrafo irlandês radicado nos EUA Brian Cross, mais conhecido como B+. As obras são registros de shows históricos de artistas fundamentais para o hip hop como o músico brasileiro Arthur Verocai, o produtor e rapper americano J. Dilla e o multiinstrumentista etíope Mulatu Astatke. Após a temporada em São Paulo, o projeto segue para o Rio, onde será exibido no Unibanco Arteplex Botafogo nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro.
O projeto foi criado para homenagear estes compositores e celebra o trabalho desses músicos no melhor contexto em que poderia ser apreciado – com orquestras. Os shows, que tiveram todos ingressos esgotados, aconteceram em Los Angeles em 2009 e contaram com mais de 150 músicos.  Ao mostrar para o público a obra desses artistas executada por orquestras, o projeto quer expandir a linguagem da música para além de ritmos estabelecidos e apresentar ao público a inventividade desses artistas com a maior quantidade e variedade de instrumentos possível.
 “Compositores e arranjadores trabalham com lápis e papel, e, dentre pequenas marcas e pontos, o som surge em sua forma mais pura. Ritmo, harmonia e melodia nascem nesse processo a partir de rabiscos que, nas mãos de virtuosos, se transformam em emoção. Os beatmakers (Djs e produtores que criam batidas) de hoje em dia também produzem muitas composições e arranjos, e os rabiscos foram substituídos por tecnologia”, explica B+. TIMELESS reúne esses dois universos através de homenagens a três grandes compositores. Mulatu, Dilla e Verocai talvez não sejam nomes conhecidos em todos os meios, mas sua contribuição para a música contemporânea é inquestionável.
No último dia de exibição (11 e 16.02), o mestre de turntablism (arte de manipular sons e criar músicas usando toca-discos e mixer) Jrocc irá apresentar um live video mix dentro da sala de cinema, editando e projetando audio e video dos três filmes simultaneamente e assim criando novas imagens e sonoridades.
Timeless - Arthur Verocai
Neste show, que aconteceu em 2009, Verocai toca acompanhado de orquestra com 35 músicos e participações especiais dos brasileiros Mamão (Azymuth), Carlos Dafé, Clarisse Grova e Airto Moreira. Nele, Verocai toca integralmente o seu primeiro álbum, Arthur Verocai, lançado em 1972, uma refinada fusão de elementos da tropicália e influências de funk e soul, mas que não foi bem compreendido pelo público e crítica da época. O trabalho virou objeto de colecionadores ao ser lançado nos Estados Unidos em 2003, onde acabou sendo sampleado por produtores de hip hop e nomes do rap como MF Doom e Ludacris.
O compositor, arranjador e violonista Arthur Verocai é o único brasileiro a figurar entre os músicos homenageados pelo projeto. Muito requisitado nos anos 70, gravou discos com Aldir Blanc e Paulinho Tapajós, arranjou canções para Jorge Ben, Tim Maia, Gal Costa, Erasmo Carlos, Leny Andrade, além de suas músicas terem sido cantadas por Beth Carvalho, Elis Regina e Maria Creuza. Entre o fracasso de seu álbum de estréia até os dias atuais, Verocai fez jingles, trabalhou na televisão fazendo arranjos para programas da TV Globo e trabalhou com publicidade. Agora, é relembrado com o registro histórico deste show em Los Angeles, que reuniu cerca de mil pessoas para assisti-lo. Logo recebeu um convite para realizar um novo show com orquestra em Londres. Verocai arranjou recentemente a música Nove, de Ana Carolina e o disco Feito para Acabar, do paulista Marcelo Jeneci. No momento está criando composições e arranjos inéditos em parceria com DJ Nuts. A música do filme foi mixada pelo próprio Verocai no Rio de Janeiro.
Timeless - J.Dilla – A Suite For Ma Dukes
Jay Dee, mais conhecido como J. Dilla, falecido em 2005, tem, neste registro de B+, a sua obra arranjada pelo maestro Miguel Atwood-Ferguson para uma orquestra de 60 músicos além dos convidados especiais Talib Kweli, Bilal, Dwele e Posdnuos. Nessa obra, Atwood-Ferguson eleva o hiphop a uma nova escala e sonoridade com a sua musicalidade.
Dilla foi um dos artistas de hip hop mais influentes da indústria musical. Produziu discos que rapidamente se tornaram clássicos com A Tribe Called Quest, Common, Busta Rhymes, The Pharcyde e Erykah Badu, além de trabalhos com Janet Jackson, De La Soul e Q-Tip. Fez parte do Slum Village e produziu seu aclamado disco de estréia Fan-Tas-Tic (Vol. 1) e também o Vol. 2. Ficou ainda mais conhecido com a criação do Jaylib, ao lado do também produtor e MC Madlib e o lançamento de seu último album solo, Donuts, hoje um clássico do hiphop.
A apresentação na série TIMELESS foi mixada e masterizada pelo lendário produtor ganhador do Grammy Bob Power, responsável por gravações de Erykah Badu, D'Angelo, De La Soul e A Tribe Called Quest, e que também trabalhou com J.Dilla enquanto ele estava vivo. Parte da renda acumulada pela venda dos ingressos desse show e da venda de DVDs será revertida diretamente para a mãe do músico, Maureen “Ma Dukes” Yancei, que criou a J Dilla Foundation, instituição que trabalha com a cura de pessoas com lupus.
Timeless - Mulatu Astatke
Show do músico etíope e inventor do Ethio-jazz Mulatu Astatke e orquestra gravado em 1o de fevereiro de 2009, em Los Angeles. Um dos grandes nomes da música africana, o compositor, arranjador e multi-instrumentista divide o palco com veteranos do jazz de Los Angeles como Bennie Maupin, Azar Lawrence e Phil Ranelin. Mulatu fez uma performance memorável, mostrando toda sua virtuosidade embalada em ritmos africanos tocando piano, vibrafone e percussão.
Nos anos 60, Astatke estudou na Inglaterra e nos Estados Unidos, onde aprendeu a tocar piano, percussão e clarinete. Nos 70, trabalhou com artistas influentes do jazz como Duke Ellington. Ficou mais conhecido com o lançamento da série francesa Ethiopiques, lançada no fim dos anos 90 e que foi dedicada a música africana dos anos 60 e 70. Participou, em 2005, da trilha sonora do filme Flores Partidas, do diretor americano Jim Jarmusch (o mesmo de Sobre Café e Cigarros, de 2004). Sempre dialogando com outros gêneros musicais, Astatke foi convidado para tocar na Inglaterra para acompanhar o The Heliocentrics, grupo que já gravou com produtores de hip hop como Madlib e DJ Shadow e faz uma mistura de hip hop, funk, jazz e eletrônico. Após o encontro, gravaram o disco Inspiration Information. É também pesquisador, já tendo passado pela universidade de Harvard e Cambrigde como artista residente do MIT Media Lab.
Mochilla (www.mochilla.com)
Mochilla é uma produtora formada pelos fotógrafos Eric Coleman e B+, conhecida por sua inventividade e experimentações musicais de alta qualidade. Através de trabalhos com Madlib, Count Bass D, Quantic e J Rocc conquistaram fãs pelo mundo todo, levando a cena artística e cultural de Los Angeles para diferentes cantos.
B+ é responsável por alguns dos mais importantes registros históricos da cena de hip hop em Los Angeles no começo dos anos 90: capas de discos e fotos lendárias de Q-Tip, Easy E , J Dilla, Blackalicious, Dilated, Ras Kass, Jurassic 5, DJ Shadow. Coleman, por outro lado, trabalhou com ícones da fotografia como Peter Lindhberg, Melodie Mcdaniel, e Steve Heitt. Recentemente, lançou discos e remixes de Miguel Atwood-Ferguson, Madlib, Quantic, Numark, Jrocc, DJ Nuts e a mais recente série TIMELESS.
Brasilintime
B+ ficou conhecido no Brasil em 2002, quando realizou o projeto Brasilintime, show que promoveu o encontro inédito entre bateristas brasileiros e norte-americanos, em uma experiência inesquecível para músicos e público. As lendas das baquetas Ivan Mamão Conti (Azymuth), João Parahyba (Trio Mocotó), Wilson das Neves e Derf Reklaw, Paul Humphrey e James Gadson estiveram juntos, acompanhados pela participação dos DJs de Hip Hop, Nuts (Brasil), Babu (EUA), Jrocc (EUA), Cut Chemist (EUA) e Madlib (EUA). No palco, os onze músicos misturaram timbres, acordes, tons e ritmos em uma jam session que intercalou o passado e o presente, agulhas e baquetas.
O show virou um filme de 117 minutos, Brasilintime: Batucada Com Discos, que mostra o registro desse momento histórico na música. Em 2006, o filme foi lançado no Brasil e B+ apresentou uma outra edição do Brasilintime no Sesc Pompéia, desta vez reunindo a lenda do afrobeat Tony Allen (que tocava com Fela Kuti) Derf Reklaw, Wilson das Neves, Mamão, Pupillo (Nação Zumbi) e os DJs Madlib, Jrocc, Cut Chemist, Nuts e Primo.
De volta ao Brasil, revela a inspiração para a série TIMELESS. “A idéia surgiu com uma pergunta”, explica B+. “Se você estivesse preso em uma ilha deserta com apenas cinco discos, quais seriam? A lista era enorme, mas nós chegamos ao consenso de três nomes: Verocai, Dilla e Astake. Assim nasceu o TIMELESS”, finaliza.
SERVIÇO TIMELESS
SÃO PAULO
9, 10 e 11 de fevereiro / quarta a sexta-feira, sempre às 21h30
JRocc se apresenta no dia 11 após a exibição do último filme da série
09.02.11 Arthur Verocai
10.02.11 Dilla
11.02.11 Mulatu Astatke
Espaço Unibanco Augusta  (Sala 1)
R. Augusta, 1.470 e 1.475 - Consolação – Centro – Tel.: 3288-6780
RIO DE JANEIRO
16, 17 e 18 de fevereiro / quarta a sexta-feira, sempre às 21h30

16.02.11 Arthur Verocai
17.02.11 J.Dilla
18.02.11 Mulatu Astatke
Unibanco Arteplex Botafogo  (Sala 6)
Praia de Botafogo, 316 – Rio de Janeiro – Tel.: 21 2559-8750

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Obey x Dilla

De Downloads


Nas palavras de B+ :

"A foto utilizada na elaboração deste cartaz foi feita em 2003 em Detroit na casa / estúdio de Dilla. Eu tinha sido encomendado pela Stones Throw a fotografá-lo para o disco Jaylib. Eric Coleman e eu estavámos emocionados em dizer a ele sobre como havia muito amor para ele na cidade dos Anjos. (L.A)

Nós já haviamos encontrado Dilla várias vezes antes e ele sempre teve o mesmo comportamento, humilde e ligeiramente retirado.

Ele não estava totalmente feliz de ter a sua foto tirada mas era compreensível, pois a doença estava começando a causar estragos em seu corpo.

Dilla significou tanto para quem assistiu ao hiphop lentamente declinar enquanto os anos 90 se desgastavam.

Ele representava a alma (soul) a musicalidade e o jazz e na música. Suas batidas salvaram muitas vidas, e inspiraram a muitos,e ele transportou um peso pesado para o início do milénio.

Ele continuou a elevar a música quando muitos cairam para integrar as exigências de um "mainstream" só interessado em excesso, hiper-mercantilização e violência.

Durante todo o período de sua doença Dilla foi fortemente apoiado por sua mãe Maureen Yancey (carinhosamente chamada por ele de Ma Dukes). Ela era a sua enfermeira de 24 horas, ela pacientemente o assistiu enquanto ele programava batidas.

Ela ainda empurrou sua cadeira em um tour europeu no final de 05. Seu completo compromisso com ele era inspirador.

Ela também sofre de Lupus, a doença que o levou. No início de 09, soubemos que Ma Dukes doença havia começado a piorar. Ela estava lutando em Detroit e tinha atingido algumas dificuldades financeiras. Eu contatei Shep através de Ernesto para ver se ele estaria interessado em fazer algo para ela. Como sempre Shepeherd agiu com rapidez. As receitas provenientes desta venda irão para ela.

O que você vê aqui é uma única e grande colaboração dedicada a alguém que trouxe muita alegria e amor a muitas vidas. Vivam Dilla. Ma Dukes nós amamos você."

foda né, artistas que eu amo muito.

Muito respeito.

Espero que Ma Dukes melhore !